sexta-feira, 29 de abril de 2011

BASTAM ROSAS


“Coroai-me de rosas,
Coroai-me em verdade
De rosas –
Rosas que se apagam
Em fronte a apagar-se
Tão cedo!
Coroai-me de rosas
E de folhas breves
E basta.”

Basta que a natureza mutante me reconheça vencedor, pois que toda vitória é igualmente efêmera.

Não preciso mais que a simbologia provisória das rosas, a marcar minha breve fronte, porque nada externo é eterno.

Acho ridículas essas pessoas que transformam momentos de glória em pseudoperenidade, reforçada por troféus e medalhas, que superlotam quartos e prateleiras, e se escravizam, e divinizam esses objetos. Não passam de pálidos registros de um passado sem retorno.

Do instante de glória, em que o corpo jovem se superou e superou adversários, mostrando-se mais forte e ágil que os demais, resta uma peça de metal, carcomida pelo tempo, a despeito dos contínuos polimentos de um ancião, cujo corpo atual nem de longe lembra aquele que conquistou o troféu.

Prefiro o reconhecimento de minha glória pela natureza, já que ambos – glória e natureza – são passageiros. E intensificar, sem limites, todo o prazer, a satisfação, a alegria daquele momento, que sei fagulha, que reconheço flash.

“Coroai-me de rosas”, como a Ricardo Reis. Somente elas serão testemunhas fugazes de minha transitória vida, do meu efêmero sucesso, pois que elas também em breve murcham.

Porque virão outros, após mim; e porque preciso experimentar novas vitórias, novas conquistas, novas rosas sobre a fronte breve...

Breve como esta crônica!

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